Em maio de 2026, no 25º Congresso Brasileiro de Apicultura realizado em Florianópolis, o título de melhor mel do Brasil na categoria empresa foi para um apiário de Minas Gerais.
Não foi surpresa para quem acompanha o setor.
Minas Gerais tem 9.229 apicultores ativos. Produz 7,68 milhões de quilos de mel por ano. Nos últimos três anos, o número de explorações apícolas cadastradas no IMA cresceu 145% — de 1.735 para 4.257. O estado é o maior produtor de própolis verde do planeta.
Esse conjunto de fatores — volume, diversidade de flora, rigor sanitário crescente e apicultores cada vez mais profissionalizados — está transformando o mel mineiro numa referência de excelência que vai muito além das fronteiras do estado.
Mas o que está por trás disso? E o que esse movimento significa para você, que compra mel querendo qualidade de verdade?

O que faz o mel mineiro ser diferente
A qualidade do mel começa muito antes da extração. Começa na flora.
Minas Gerais tem um trunfo geográfico que poucos estados brasileiros têm: a combinação de biomas. O cerrado, a Mata Atlântica, o campos rupestres da Serra do Espinhaço e do Sul de Minas — cada um com uma diversidade botânica própria que se traduz em méis com perfis de sabor, aroma e composição completamente distintos.
Abelhas que trabalham numa região com alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia) produzem mel com traços dos mesmos compostos fenólicos que tornam a própolis verde mineira mundialmente reconhecida. Abelhas numa área de cerrado florido produzem mel com notas completamente diferentes — mais adocicado, mais claro, com aroma floral específico da vegetação local.
Essa diversidade botânica é irreplicável. Não dá para fabricar — só para preservar e aproveitar.
Além da flora, Minas tem outro fator: altitude. O Sul de Minas, onde fica São Lourenço — nossa sede aqui na HerboMel — tem clima ameno, noites frescas e umidade controlada. Essas condições influenciam diretamente o processo de maturação do mel dentro da colmeia, favorecendo menor teor de umidade e maior concentração de compostos bioativos.
O que mudou nos últimos anos: fiscalização que virou aliada
Há pouco tempo atrás, a apicultura mineira era um setor fragmentado, com grande parte dos produtores na informalidade e sem mecanismos eficientes de controle de qualidade na cadeia.
O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) começou a mudar esse quadro com ações sistemáticas de cadastro e fiscalização. O resultado aparece nos números: entre 2023 e 2026, o número de explorações apícolas cadastradas cresceu 145% — de 1.735 para 4.257 unidades registradas.
Eduardo Lage, coordenador estadual do Programa Nacional de Sanidade Apícola (PNSAb), explica o que esse número representa além da estatística: “Essas ações são fundamentais para entendermos como funciona a atividade no estado e para estabelecer estratégias mais adequadas de controle, mitigação de riscos e erradicação de doenças.”
Mas tem algo mais importante nesse processo, além do controle de doenças. A formalização é a barreira mais eficaz contra a adulteração.
Para chegar legalmente às prateleiras, o mel e seus derivados precisam ser processados em estabelecimentos registrados num dos serviços de inspeção oficial — SIM (Municipal), SIE/IMA (Estadual) ou SIF (Federal). Esse registro garante que as condições sanitárias, a qualidade da matéria-prima e os processos de processamento passem por auditoria constante.
Mariana Telles, fiscal agropecuária do IMA, coloca de forma direta: “A população está cada vez mais atenta à origem dos alimentos e à segurança dos produtos que consome. A regularização agrega valor, fortalece a confiança do consumidor e amplia as oportunidades de comercialização para os produtores.”
É o círculo virtuoso que o setor precisava: mais fiscalização → mais formalização → mais qualidade → mais confiança do consumidor → mais mercado para o produto bom.
O problema que ainda persiste: mel adulterado
Aqui é preciso ser honesto — porque o tema da qualidade do mel mineiro não pode ser contado sem falar no problema que ainda existe ao lado.
O Brasil tem um histórico sério de adulteração de mel. Xarope de glicose, açúcar invertido, amido de milho diluído — são os adulterantes mais comuns em produtos vendidos como “mel puro” em feiras, atacados e até em algumas lojas. O problema é tão antigo que existe categoria de produto no mercado chamada “mel para indústria” que, na prática, é mel de qualidade inferior ou adulterado usado em pães, biscoitos e doces industriais.
Para o apicultor que trabalha de forma séria, essa concorrência desleal é um problema econômico grave. Para o consumidor, é uma questão de saúde e confiança.
A fiscalização do IMA e a formalização do setor atacam exatamente isso — porque produto registrado tem rastreabilidade. Tem responsável identificado. Tem auditoria. É muito mais difícil de adulterar do que produto informal.
Mas o consumidor também tem papel nessa equação. Saber identificar mel puro, exigir origem declarada e escolher fornecedores com registro formal é o que sustenta o lado da demanda nesse processo.
Se quiser saber como identificar mel puro em casa com testes simples, temos um artigo completo sobre isso aqui no blog.
O prêmio que confirma o que o setor já sabia
No 25º Congresso Brasileiro de Apicultura (Conbrapi), realizado em Florianópolis em maio de 2026, o título de melhor mel do país na categoria empresa foi para Minas Gerais — um reconhecimento que o setor mineiro construiu ao longo de anos de investimento em qualidade, formalização e boas práticas de manejo.
O apiário vencedor tem registro junto ao IMA e operava dentro dos padrões exigidos pelos serviços de inspeção oficial — exatamente o perfil de produtor que a formalização do setor está multiplicando no estado.
Mais do que um prêmio para um produtor, esse reconhecimento é a confirmação de que o caminho da formalização e da qualidade tem resultado concreto. O melhor mel do Brasil em 2026 saiu de uma colmeia mineira registrada, fiscalizada e comprometida com boas práticas desde o começo.
Minas Gerais: os números que mostram o tamanho do setor
Para entender o que está em jogo, vale olhar para o tamanho da apicultura mineira:
429 municípios produtores de mel no estado. 9.229 apicultores cadastrados. 167 associações e 13 cooperativas ativas. 318 mil colmeias voltadas à produção de mel, com produtividade média de 22,71 kg por colmeia ao ano — totalizando 7,68 milhões de quilos de mel produzidos anualmente.
Na própolis: 154 mil colmeias ativas, produzindo 189 mil quilos de própolis por ano.
Os cinco municípios líderes em produção de mel são Itapecerica (460 toneladas), Bocaiúva (325 t), Sabinópolis (228 t), Itamarandiba (185 t) e Formiga (168 t).
Esse setor emprega, movimenta e sustenta comunidades em quase metade dos municípios do estado. E está crescendo — com mais qualidade do que antes.
Por que isso importa para quem compra mel aqui em São Lourenço e no Sul de Minas
A HerboMel está em São Lourenço, no Sul de Minas. Trabalha com mel e produtos apícolas de origem rastreável, de fornecedores com registro formal, num estado que está se consolidando como referência nacional em qualidade apícola.
Isso não é detalhe de marketing. É o contexto que determina o que está no pote que chega até você.
Quando você escolhe um mel com origem declarada em Minas Gerais, com fornecedor identificado e com processo de produção rastreável, está dentro do movimento que transformou o estado num polo de excelência apícola — e que fez o mel mineiro ganhar o pódio nacional em 2026.
Conheça o mel puro HerboMel — mel de origem rastreável, produzido em Minas Gerais, sem adulterações.
E se quiser o conjunto completo dos produtos apícolas que o Sul de Minas tem para oferecer, conheça também a própolis verde HerboMel — derivada da Baccharis dracunculifolia do cerrado mineiro, com a coloração e o aroma que confirmam a autenticidade.
Perguntas frequentes sobre mel mineiro
Por que o mel mineiro é considerado de alta qualidade? A combinação de fatores é única: diversidade de biomas (cerrado, Mata Atlântica, campos rupestres), altitude favorável à maturação do mel, crescimento da formalização do setor com fiscalização do IMA e apicultores cada vez mais profissionalizados. Em 2026, o título de melhor mel do Brasil no Conbrapi foi para um produtor mineiro — confirmando o estado como referência nacional.
Todo mel de Minas Gerais é de qualidade? Não automaticamente. A qualidade depende do produtor, do processo e da rastreabilidade. O crescimento da fiscalização e da formalização está elevando o padrão médio — mas ainda existe produto informal e adulterado no mercado. Origem declarada e fornecedor com registro são os filtros mais seguros.
O que é o IMA e por que ele importa para o mel? O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) é o órgão estadual responsável pela defesa sanitária animal e vegetal em Minas Gerais. No contexto apícola, ele cadastra apicultores, fiscaliza estabelecimentos de processamento e emite a Guia de Trânsito Animal (GTA) para transporte de colmeias. Produto com registro no IMA passou por auditoria sanitária.
O que é o Conbrapi e por que o prêmio importa? O Congresso Brasileiro de Apicultura (Conbrapi) é o principal evento do setor apícola no país. O prêmio de melhor mel é disputado por apiários de todo o Brasil e julgado por especialistas. Em 2026, na 25ª edição realizada em Florianópolis, o título na categoria empresa foi para um apiário de Minas Gerais — confirmando o estado como referência nacional em qualidade apícola.
Mel de São Lourenço tem características específicas? O Sul de Minas, onde fica São Lourenço, tem altitude elevada, clima ameno e vegetação diversificada — fatores que influenciam positivamente a qualidade do mel produzido na região. A área tem tradição apícola e proximidade com regiões de cerrado onde a Baccharis dracunculifolia — fonte da própolis verde — é abundante.
Conclusão
O mel mineiro ganhou o pódio nacional em 2026. Não foi por acaso — foi o resultado de anos de investimento em formalização, fiscalização e profissionalização de um setor que tem tudo que precisa para ser excelente: flora diversificada, clima favorável, apicultores dedicados e, agora, estrutura institucional que protege e valoriza o produto bom.
O consumidor que sabe disso e escolhe mel com origem rastreável em Minas Gerais está do lado certo dessa história.
Fontes
Artigo baseado em reportagem da Rádio Itatiaia (15/06/2026) e dados do IMA, Emater-MG e Conbrapi 2026. Ver reportagem original



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